{"id":1258,"date":"2016-07-22T09:05:41","date_gmt":"2016-07-22T12:05:41","guid":{"rendered":"http:\/\/otaviopinto.com\/?p=1258"},"modified":"2016-07-22T09:19:23","modified_gmt":"2016-07-22T12:19:23","slug":"monstros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/2016\/07\/22\/monstros\/","title":{"rendered":"H\u00e1 monstros entre n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"H%C3%A1%20monstros%20entre%20n%C3%B3s\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div><p style=\"text-align: justify;\">Resolvi postar alguns dos meus contos aqui no blog. Come\u00e7o por esse\u00a0que trata de um assunto bastante sens\u00edvel. Espero que gostem!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <strong>\u00a0 \u00a0H\u00c1 MONSTROS ENTRE N\u00d3S<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo. Quando menos se espera, seres aterrorizantes, at\u00e9 ent\u00e3o impercept\u00edveis, invadem mundos aparentemente perfeitos e corrompem o que jamais deveria ter sido corrompido. Deus, ajude-nos, h\u00e1 monstros entre n\u00f3s e eles sabem o que fazem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, h\u00e1 pesadelos reais mesmo em reinos dos sonhos. Numa dessas terras maravilhosas, vivia uma radiante garotinha de oito anos que nascera e crescera com todo amor e seguran\u00e7a necess\u00e1rios a uma crian\u00e7a. Seus pais adoravam dar festas bel\u00edssimas que reuniam pessoas de todas as idades. Havia divers\u00e3o de sobra para jovens e adultos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num daqueles eventos, a garotinha ouviu uma conversa entre seu pai e um dos seus mais pr\u00f3ximos, queridos e antigos amigos, desde a \u00e9poca da academia de cavaleiros:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Voc\u00ea tem uma fam\u00edlia linda. A garotinha j\u00e1 est\u00e1 com quantos anos? \u2014 o colega perguntou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Obrigado, meu amigo. Minha princesa tem oito anos \u2014 respondeu o orgulhoso pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Que coisa maravilhosa! Parab\u00e9ns!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garotinha adorou ouvir aquilo. Afinal, quem n\u00e3o gosta de elogios?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia, ao passear, como de costume, no bosque florido, ela escutou a voz daquele amigo do seu pai, dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Garotinha, sou eu. Venha aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inocentemente, ela caminhou em sua dire\u00e7\u00e3o e disse \u201coi\u201d. Ele, com uma m\u00e1gica, fez aparecer uma porta no meio da mata, e disse:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Entra aqui comigo. Te darei v\u00e1rios presentes e mostrarei meu arm\u00e1rio cheio de chocolates. \u2014 Uma vez que reconheceu aquele homem, o amigo de seu pai, a garotinha obedeceu e passou pela porta. Em seguida, eles foram transportados para um lugar horr\u00edvel. Estranhamente, n\u00e3o havia nem sol, lua ou estrelas naquele ambiente sombrio. Eram trevas, apenas trevas. A garotinha estava bastante assustada. As \u00fanicas coisas que conseguiu ver foram dois olhos imensos de uma fera aterrorizante, que falava:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Malvinda ao mundo da infelicidade, garotinha. Aqui h\u00e1 apenas tristeza, sofrimento e l\u00e1grimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garotinha, assustada, reconhecendo a voz, perguntou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 amigo do papai? Quando voc\u00ea ficou assim? O que aconteceu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monstro soltou uma gargalhada horr\u00edvel e respondeu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Eu sempre tive essa forma. Apenas disfar\u00e7ava minha verdadeira natureza. Conquistei a confian\u00e7a dos seus pais para me aproximar de voc\u00ea. \u2014 A seguir, ele transformou suas pr\u00f3prias m\u00e3os em tochas de fogo azul escuro, incapazes de iluminar o local, por\u00e9m suficientes para mostrar uma parte do seu horrendo e disforme corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A menininha, aos prantos, gritou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Eu quero o papai e a mam\u00e3e! Me tira daqui!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Chore mais garotinha, chore mais. Eu me alimento de sua deliciosa tristeza. Ningu\u00e9m salvar\u00e1 voc\u00ea, e seus pais n\u00e3o podem saber que est\u00e1 aqui, porque se descobrirem, eu os destruirei. Saiba de uma coisa: tudo o que acontecer\u00e1 aqui \u00e9 normal; todo mundo do reino j\u00e1 passou por isso; apenas n\u00e3o contam para ningu\u00e9m. A infelicidade \u00e9 importante. Este ser\u00e1 nosso pequeno segredo. \u2014 Rispidamente, ele agarrou a garotinha \u00e0 for\u00e7a e a carregou a um castelo maligno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande criatura horripilante a jogou em algo que parecia ser uma cela, levemente iluminada por uma fraca vela escura (a \u00fanica luz em todo castelo). Na parede, havia uma cabe\u00e7a morta de um palha\u00e7o assustador com a boca aberta. Logo abaixo, um peda\u00e7o de madeira com uma frase talhada: \u201cSou o palha\u00e7o do mal. Estou aqui para te atormentar e coletar l\u00e1grimas e infelicidade\u201d.\u00a0 Quanto mais desolada a garotinha ficava e quanto mais l\u00e1grimas caiam do seu inocente rosto, fuma\u00e7as brancas sa\u00edam de seu corpo e entravam pela boca do palha\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s algumas horas, ela pegou no sono e, pouco tempo depois, acordou sob o som da voz de um garotinho:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Acorda! Acorda! Voc\u00ea t\u00e1 bem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garotinha olhou assustada e respondeu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 N\u00e3o. Quero o papai e a mam\u00e3e. Quem \u00e9 voc\u00ea? Onde estou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Voc\u00ea t\u00e1 na terra da infelicidade. O monstro tamb\u00e9m me trouxe para c\u00e1. Ele engole a tristeza da gente; precisa dela para continuar nessa forma feia e criar monstrinhos que usam uma roupa e ficam iguaizinhos a gente. Quando ele dorme, o palha\u00e7o pega infelicidade para ele. Mas quando acorda, ele leva a gente daqui e d\u00f3i mais ainda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Eu tenho muito medo. O que ele faz quando leva a gente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 N\u00e3o sei direito o que \u00e9. S\u00f3 sei que \u00e9 errado e triste, muito triste. Cala a boca! Ele t\u00e1 vindo, n\u00e3o pode ouvir a gente conversando. Acho que vai fazer seu monstrinho agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Garotinha, tudo mal? Espero que ainda pior. Venha \u2014 deu sua risada maligna e arrastou a garotinha para outro aposento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1, um caldeir\u00e3o cheio de fuma\u00e7as, id\u00eanticas \u00e0s que entravam no palha\u00e7o, borbulhava. Depois que o monstro fez aquela maldade inexplic\u00e1vel, uma pequena criatura surgiu do caldeir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Eis o monstrinho. Disfar\u00e7ado de garotinha, ele ir\u00e1 ao seu reino para que seus pais n\u00e3o percebam o que aconteceu com voc\u00ea \u2014 disse o repulsivo ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A garotinha ficou aterrorizada ao ver aquela coisa ficar id\u00eantica a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partiu ent\u00e3o o monstrinho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 casa da garotinha. Chegando l\u00e1, os pais n\u00e3o viram nada de errado, pois n\u00e3o havia passado uma quantidade significativa de tempo. Simplesmente acharam que ela vinha de seu rotineiro e inocente passeio no bosque. Nem desconfiaram do fato dela ter ido direto ao banho, sem primeiro abra\u00e7\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora parecesse perfeita, a fantasia de garotinha, al\u00e9m de pr\u00f3pria natureza da pequena criatura, apresentava v\u00e1rios problemas que poderiam estragar o disfarce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Para n\u00e3o demonstrar seu fedor natural de monstrinho, ele tinha que tomar banho de duas em duas horas, com excessiva quantidade de sab\u00e3o e shampoo. N\u00e3o podia tirar a roupa em frente dos pais da garotinha, pois havia algumas imperfei\u00e7\u00f5es em partes da fantasia. O material do disfarce incomodava, fazendo com que ele co\u00e7asse principalmente os bra\u00e7os, causando pequenas feridas no local. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o suportava a comida dos humanos; por isso se alimentava raramente. Ainda, pois estranho \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o e comum na terra da infelicidade, o diminuto ser medonho era incapaz de sorrir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros problemas surgiam \u00e0 noite. O suor do monstrinho fedia a urina humana e, como era demasiadamente quente dormir sob a fantasia, sua cama ficava toda molhada, parecendo que a garotinha havia feito xixi. Ele tamb\u00e9m roncava de uma maneira assustadora; pareciam gritos de crian\u00e7a durante um terr\u00edvel pesadelo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, a m\u00e3e come\u00e7ou a perceber tudo isso. Aproximou-se do pai da garotinha e disse:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Estou achando a nossa garotinha diferente. Come t\u00e3o pouco, toma banho muitas vezes ao dia, voltou a fazer xixi na cama e tem pesadelos horr\u00edveis. Ela parece t\u00e3o triste&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Normal, crian\u00e7a \u00e9 desse jeito mesmo. Isso passa \u2014 disse o pai, enquanto lia um jornal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Verdade. Deve ser coisa da minha cabe\u00e7a. Exagero de m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 O garotinho do reino vizinho tamb\u00e9m est\u00e1 assim. Tem a mesma idade da nossa garotinha. Normal. Relaxe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passadas algumas semanas, os pais n\u00e3o mais desconfiavam, principalmente pelo fim das feridas (a fantasia parou de co\u00e7ar), e continuavam tratando a \u201cgarotinha\u201d com extremada ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o monstrinho, como estava? Ele, nascido sob l\u00e1grimas e sofrimento, tinha nojo da felicidade e sentia repulsa do carinho dos pais da garotinha. Contudo, com o tempo, algo estranho aconteceu: ele come\u00e7ou a acostumar-se e at\u00e9 gostar daquele sentimento. Essa jornada, em raz\u00e3o da sua origem, demonstrava a veracidade de uma frase de um grande trovador do reino, emoldurada na sala de jantar: \u201cO amor \u00e9 o \u00fanico \u00eaxtase. Tudo o mais s\u00e3o l\u00e1grimas\u201d. Aquele ser melanc\u00f3lico percebera no amor a \u00fanica e verdadeira felicidade. Um esbo\u00e7o de sorriso come\u00e7ava a aparecer em seu rosto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascia e amadurecia naquele min\u00fasculo e repulsivo bichinho a vontade de contar a verdade. Todavia, ele sentia vergonha e ficava com pavor da rea\u00e7\u00e3o dos pais da garotinha; poderiam culp\u00e1-lo por tudo. \u201cMas eu n\u00e3o tive escolha. Foi culpa do monstro, t\u00e3o horr\u00edvel e trai\u00e7oeiro\u201d \u2014 pensou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Um dia, quando os pais da menina, novamente, expressaram seu afeto, ele, enfim, criou coragem e disse:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Eu sou um pequeno monstrinho sujo. N\u00e3o mere\u00e7o ser amado, pois n\u00e3o posso mais ser sua garotinha. Ela est\u00e1 presa num mundo das trevas com o terr\u00edvel monstro e voc\u00eas ainda podem salv\u00e1-la!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Que maluquice \u00e9 essa? \u2014 N\u00e3o invente algo t\u00e3o horr\u00edvel, garotinha \u2014 falaram quase concomitantemente, m\u00e3e e pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 a verdade! Aquele seu amigo dos tempos da academia de cavalaria \u00e9 um monstro. Voc\u00eas t\u00eam que det\u00ea-lo para salvar a garotinha \u2014 respondeu o monstrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais permaneceram c\u00e9ticos. Apenas ap\u00f3s a diminuta criatura medonha retirar sua fantasia de garotinha e explicar tudo detalhadamente, eles realmente acreditaram. Ficaram assustados e depois revoltados e consternados por ter ignorado os evidentes sinais de que algo estava errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 N\u00e3o se preocupem. Voc\u00eas foram muito bons, carinhosos e pacientes comigo. Por isso, me senti seguro para revelar o que aconteceu.\u00a0 Eu n\u00e3o tive culpa. Foi o monstro. Eu vou levar voc\u00eas ao seu castelo maligno. Eu n\u00e3o sei fazer a porta m\u00e1gica, mas conhe\u00e7o um longo caminho para ir at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o pai seguiu a jornada junto ao pequeno ser fedorento e aos melhores guerreiros do reino. S\u00e1bios tamb\u00e9m acompanhavam o grupo, tentando compreender o horripilante vil\u00e3o, mediante relatos do monstrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma semana, chegaram \u00e0 terra da infelicidade. Carregando muitas tochas, iluminaram aquele ambiente sombrio e conseguiram, facilmente, alcan\u00e7ar o castelo e avistar a garotinha e o garotinho em duas celas. Ambos estavam muito assustados&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estranhamente, tudo parecia fac\u00edlimo. Eis que, subitamente, o monstro mal\u00e9volo apareceu e, com seus pavorosos olhos arregalados, gritou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 O que est\u00e3o fazendo aqui? Destruirei todos voc\u00eas! A garotinha e o garotinho me pertencem! Eles quiseram entrar no meu mundo e daqui nunca sair\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pai reconheceu a voz e, indignado, questionou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Voc\u00ea era meu amigo! O que \u00e9 isso?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precedido por uma gargalhada tenebrosa, o monstro respondeu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Sempre fui assim, seu est\u00fapido. Voc\u00ea! \u2014 gritou, apontando para o monstrinho \u2013 N\u00e3o sabe que se eu for destru\u00eddo, deixar\u00e1 de existir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Conheci o amor, o carinho e a confian\u00e7a. Desapare\u00e7o contente se for para salvar a felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A colossal besta parecia confusa e atordoada com a reposta. Na hora que os guerreiros, aproveitando a distra\u00e7\u00e3o, o atacavam com lan\u00e7as iluminadas, o monstrinho partiu ao resgate da garotinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento em que o golpe final atingiu o terr\u00edvel monstro, ele, mesmo enfraquecido, conseguiu dizer preocupantes palavras:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 N\u00e3o acabou! Seu mundo est\u00e1 repleto de seres iguais a mim. Escondemos facilmente nossa verdadeira natureza. Vivemos geralmente perto das suas crian\u00e7as: um amigo; um vizinho; primo; tio; ou, inclusive, um pai ou uma m\u00e3e. Quando menos esperarem, atacaremos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Estaremos preparados, ardilosa e vil aberra\u00e7\u00e3o! Com ajuda da pequena criatura, nossos s\u00e1bios estudaram sua vida e desvendaram cada um dos seus segredos. S\u00e3o as trevas que despertam os monstros existentes em pessoas que nem voc\u00ea. Eu sei que sempre foi assim e que h\u00e1 outros \u00e0 solta, mas, agora, conhecemos a chave para evitar que a monstruosidade se manifeste em outros semelhantes a voc\u00ea: luz, luz em quantidade! N\u00e3o desistiremos enquanto n\u00e3o iluminarmos todos os locais sombrios como esse. N\u00e3o h\u00e1 monstro das trevas que resista \u00e0 aurora! Iluminaremos o mundo! \u2014 bradou o pai da garotinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O monstro, completamente derrotado, acorrentado pelos soldados, nada mais falou. Nesse mesmo instante, o monstrinho come\u00e7ava a desaparecer. Ao ver o reflexo da garotinha no espelho, ele sorriu pela primeira vez em sua exist\u00eancia. Um sorriso t\u00edmido tamb\u00e9m apareceu no rosto da garotinha, provando que a fera n\u00e3o havia conseguido destru\u00ed-la por completo. Restava ainda a esperan\u00e7a de que, com muito amor, paci\u00eancia, afei\u00e7\u00e3o e especial cuidado, um dia ela pudesse ser feliz novamente, e que aquela ferida, ainda t\u00e3o aberta e dolorida, se transformasse apenas numa cicatriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0FIM<\/strong><\/p>\n<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"H%C3%A1%20monstros%20entre%20n%C3%B3s\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"H%C3%A1%20monstros%20entre%20n%C3%B3s\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div><p>Resolvi postar alguns dos meus contos aqui no blog. Come\u00e7o por esse\u00a0que trata de um assunto bastante sens\u00edvel. Espero que gostem! \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0H\u00c1 MONSTROS ENTRE N\u00d3S [&hellip;]<\/p>\n<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"H%C3%A1%20monstros%20entre%20n%C3%B3s\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":1259,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[154,31],"tags":[155,32],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258"}],"collection":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1258"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1270,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions\/1270"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}