{"id":2624,"date":"2024-06-06T22:15:25","date_gmt":"2024-06-07T01:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/otaviopinto.com\/?p=2624"},"modified":"2025-02-04T12:47:41","modified_gmt":"2025-02-04T15:47:41","slug":"nissa-primeiro-abolicionista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/2024\/06\/06\/nissa-primeiro-abolicionista\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa, o primeiro abolicionista"},"content":{"rendered":"<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"S%C3%A3o%20Greg%C3%B3rio%20de%20Nissa%2C%20o%20primeiro%20abolicionista\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div><p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode julgar o passado com os valores atuais. Um homem do mundo antigo era, logicamente, fruto do seu pr\u00f3prio tempo. Logo, injusto tachar como \u201cpessoas ruins\u201d grandes pensadores da estatura de Arist\u00f3teles e S\u00eaneca, em raz\u00e3o de eles, como todos os seus contempor\u00e2neos, n\u00e3o terem questionado a escravatura enquanto institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante, vale, atrav\u00e9s de par\u00e1frase das li\u00e7\u00f5es do Historiador brit\u00e2nico Tom Holland no livro \u201cDom\u00ednio\u201d, lembrar alguns aspectos brutais da Antiguidade. Os espartanos praticavam uma forma de eugenia, os gregos tinham licen\u00e7a para estuprar seus conquistados como recompensa por seus atos, os romanos abusavam sexualmente seus escravos (ainda que crian\u00e7as!), os persas criaram t\u00e9cnicas de tortura, e entre todos eles havia dois pontos terr\u00edveis em comum: aceita\u00e7\u00e3o ampla do infantic\u00eddio, e rejei\u00e7\u00e3o de quaisquer valores intr\u00ednsecos dos pobres, fracos e oprimidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, isso n\u00e3o significa dizer que inexistiram semelhantes nefastos crimes na era crist\u00e3. Contudo h\u00e1 uma diferen\u00e7a essencial: aqueles eram vistos como reprov\u00e1veis pela sociedade e pelos pensadores, enquanto os antigos n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o enxergavam obje\u00e7\u00f5es morais, como incentivavam e premiavam tais comportamentos abjetos. Isso levou o acima mencionado historiador ingl\u00eas, ainda que agn\u00f3stico, a reconhecer que seus pr\u00f3prios valores e os da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental derivam distintamente do cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a escravid\u00e3o, importante entender que era parte central da economia, e vista como algo normal e inevit\u00e1vel. No m\u00e1ximo, falava-se em propiciar melhores condi\u00e7\u00f5es aos escravos, por\u00e9m nem se cogitava sua extin\u00e7\u00e3o. Conjuntura semelhante na pr\u00f3pria B\u00edblia. H\u00e1 passagens sugerindo bom tratamento aos subjugados; entretanto, apesar das palavras de S\u00e3o Paulo (\u201cN\u00e3o h\u00e1 mais judeu nem gentio, escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos voc\u00eas s\u00e3o um em Cristo Jesus\u201d, G\u00e1latas 3:28) e do mandamento de Cristo de amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo (que viriam a inspirar o movimento abolicionista moderno), n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da escravid\u00e3o em nenhum livro b\u00edblico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse mundo antigo que surge Gr\u00e9gorio de Nissa, te\u00f3logo influente (sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 trindade) e venerado como Santo nas Igrejas Cat\u00f3lica, Ortodoxa e Anglicana. De fam\u00edlia abastada, ele nasceu em 335 D.C. num Imp\u00e9rio Romano j\u00e1 crist\u00e3o, na Prov\u00edncia da Capad\u00f3cia (hoje localizada na Turquia). Casado e Professor de Ret\u00f3rica, resolveu mais tarde na vida seguir o caminho mon\u00e1stico, comum em sua fam\u00edlia; sua m\u00e3e, Em\u00edlia de Cesareia, e quatro dos irm\u00e3os, Bas\u00edlio Magno, Macrina (a Jovem), Naucr\u00e1cio e Pedro de Sebaste, de igual modo, s\u00e3o considerados santos. Ele foi fortemente influenciado por seu irm\u00e3o mais velho, Bas\u00edlio Magno, e sua irm\u00e3 Macrina, com quem aprendeu a dedicar sua vida aos pobres. O primog\u00eanito foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o das \u201cBasileias\u201d (posteriormente denominadas como tal), quase \u201ccidades\u201d para os mais necessitados, que abrigavam abrigos e, provavelmente, o primeiro hospital da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gr\u00e9gorio se tornou Bispo da cidade de Nissa, tamb\u00e9m localizada na Capad\u00f3cia. Segundo Tom Holland, ele n\u00e3o s\u00f3 criticou, como seu irm\u00e3o mais velho, a diferen\u00e7a entre pobres e ricos, mas a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o (o primeiro pensador conhecido a faz\u00ea-lo expressamente). Em suas Hom\u00edlias sobre o livro de Eclesiastes do Antigo Testamento, escreveu <a href=\"https:\/\/www.roger-pearse.com\/weblog\/2019\/01\/24\/a-fuller-extract-from-gregory-of-nyssa-on-the-evils-of-slavery\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">as seguintes passagens<\/a> (tradu\u00e7\u00e3o livre; coloquei \u201cnota\u201d entre par\u00eanteses para explicar algumas informa\u00e7\u00f5es no texto):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eclesiastes 2:7 (nota: passagem como consta na <a href=\"https:\/\/amzn.to\/4e9stOd\">B\u00edblia de Jerusal\u00e9m<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adquiri escravos e escravos, tinha criadagem, e possu\u00eda muitos rebanhos de vacas e ovelhas, mais do que os meus predecessores em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">334.5 N\u00f3s ainda encontramos ocasi\u00e3o para confiss\u00e3o sob esse argumento. Aquele que d\u00e1 vers\u00e3o sobre seus afazeres relaciona uma depois da outra, quase todas as coisas atrav\u00e9s das quais \u00e9 reconhecida a futilidade das atividades de sua vida. Mas agora ele trata como se fosse um s\u00e9rio indiciamento das coisas que fez, como resultado do que se \u00e9 acusado do sentimento de orgulho. Tal \u00e9 um exemplo rude da arrog\u00e2ncia das coisas acima enumeradas \u2014 uma casa opulenta, abund\u00e2ncia de vinhos, matura\u00e7\u00e3o em hortas, coleta de \u00e1gua nas piscinas e a canalizando nos jardins \u2014 quanto ao ser humano se considerar mestre da pr\u00f3pria esp\u00e9cie?\u00a0 Adquiri escravos e escravas, e tive escravos nascidos em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea percebe a enormidade da ostenta\u00e7\u00e3o? Esse tipo de linguagem \u00e9 elevada como um desafio a Deus. Pois ouvimos da profecia que todas as coisas s\u00e3o escravas do poder que transcende tudo (Salmos 119\/118,91). Ent\u00e3o quando algu\u00e9m transforma a propriedade de Deus em sua, e arroga dom\u00ednio sobre sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie, ao ponto de se pensar dono de homens e mulheres, o que ele est\u00e1 fazendo, sen\u00e3o ultrapassando sua pr\u00f3pria natureza atrav\u00e9s do orgulho, considerando-se algo diferente de seus subordinados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">335,5 Adquiri escravos e escravas. O que voc\u00ea quer dizer? Voc\u00ea condena o homem \u00e0 escravid\u00e3o, enquanto sua natureza \u00e9 livre e possui livre-arb\u00edtrio, e voc\u00ea legisla em competi\u00e7\u00e3o com Deus, revogando vossa lei para a esp\u00e9cie humana. Aquele feito em termos espec\u00edficos, que deveria ser dono da terra, e denominado para o governo pelo Criador \u2013 voc\u00ea o coloca sob o jugo da escravid\u00e3o, assim desafiando e lutando contra o decreto divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">335,11 Voc\u00ea esqueceu os limites de sua autoridade, e que o seu dom\u00ednio \u00e9 confinado sobre as coisas irracionais. Porque est\u00e1 escrito: <em>domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos c\u00e9us, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o r\u00e9ptil <\/em>(G\u00eanesis 1,26). Por que vai al\u00e9m do que est\u00e1 sujeito a voc\u00ea e se levanta sobre sua pr\u00f3pria livre esp\u00e9cie, tratando-a como gado e r\u00e9pteis? <em>Voc\u00ea sujeitou todas as coisas ao homem, <\/em>declara a Palavra atrav\u00e9s da profecia, e no texto enumeram-se as coisas: ovelhas, bois e animais de campo (Salmos 8,7-8). Certamente homens n\u00e3o foram produzidos do seu gado? Certamente vacas n\u00e3o conceberam seres humanos? As criaturas irracionais s\u00e3o as \u00fanicas escravas da humanidade. Por\u00e9m para voc\u00ea, essas coisas s\u00e3o de pouca import\u00e2ncia. Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o servi\u00e7o do homem, para fazer sair da terra o p\u00e3o, diz-se (Salmos 104,14). Mas ao dividir a esp\u00e9cie humana em duas com \u2018escravid\u00e3o\u2019 e \u2018propriedade\u2019, voc\u00ea a tornou escrava de si, e propriet\u00e1ria de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">336,6. Adquiri escravos e escravas. Por qual pre\u00e7o, diga-me? O que voc\u00ea achou na exist\u00eancia t\u00e3o valioso quanto essa natureza humana? Qual pre\u00e7o coloca na racionalidade? Quantos \u00f3bolos considera equivalentes \u00e0 semelhan\u00e7a de Deus? Quantos est\u00e1teres (nota: moeda usada na Gr\u00e9cia antiga) voc\u00ea obteve ao vender o ser moldado por Deus? Deus disse: <em>Fa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem, conforme a nossa semelhan\u00e7a<\/em> (G\u00eanesis 1,26). Se ele \u00e9 conforme a semelhan\u00e7a de Deus, e tem dom\u00ednio sobre toda a terra, e foi lhe concedida por Deus autoridade sobre tudo na terra, quem \u00e9 seu comprador? Diga-me. Quem \u00e9 seu vendedor? Apenas a Deus pertence esse poder, ou ainda, nem ao pr\u00f3prio Deus. Pois <em>seus dons s\u00e3o irrevog\u00e1veis<\/em> (Romanos 11,29). Deus, portanto, n\u00e3o reduziria o homem \u00e0 escravid\u00e3o, j\u00e1 que ele pr\u00f3prio, quando est\u00e1vamos escravizados ao pecado, espontaneamente nos chamou \u00e0 liberdade. Mas se Deus n\u00e3o escraviza o que \u00e9 livre, quem \u00e9 aquele que coloca seu pr\u00f3prio poder acima do de Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">336,20 Como pode o soberano de toda a terra e de todas as coisas terrenas ser colocado \u00e0 venda? Pois a propriedade da pessoa vendida tamb\u00e9m ser\u00e1 vendida com ela. Ent\u00e3o quanto achamos que vale toda a terra? E quando todas as coisas da terra (G\u00eanesis 1,26)? Se elas s\u00e3o inestim\u00e1veis, qual o pre\u00e7o do que est\u00e1 acima de todos eles? Diga-me. Se voc\u00ea dissesse \u2018todo o mundo\u2019, ainda assim n\u00e3o teria achado o pre\u00e7o que ele vale. (Mateus 16,26; Marcos 8,36). Ele (nota: Cristo), que sabia a natureza da humanidade, disse com raz\u00e3o que o mundo inteiro n\u00e3o valeria em troca da alma humana. Sempre que um ser humano est\u00e1 \u00e0 venda, nada menos que o dono da terra \u00e9 levado ao sal\u00e3o de vendas. Presumivelmente, ent\u00e3o, a propriedade que lhe pertence tamb\u00e9m est\u00e1 em leil\u00e3o. Isto significa que a terra, as ilhas, o mar, e tudo ali presente. O que o comprador pagar\u00e1, e o que vendedor aceitar\u00e1, considerando quantas propriedades est\u00e3o envolvidas no neg\u00f3cio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">337,13 Mas ser\u00e1 que o peda\u00e7o de papel e o contrato escrito, e a contagem dos \u00f3bolos, enganaram voc\u00ea, fazendo-o pensar ser o mestre \u00e0 imagem de Deus? Que loucura! Se o contrato se perder, se o que foi escrito for comido por vermes, se uma gota de \u00e1gua derramasse e lhe destru\u00edsse, qual garantia tem de sua escravid\u00e3o? O que possui para sustentar sua posi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio? Eu n\u00e3o vejo superioridade sobre subordinado a n\u00e3o ser o mero t\u00edtulo. O que esse poder contribui para voc\u00ea como pessoa? N\u00e3o concede longevidade, nem beleza, nem boa sa\u00fade, nem superioridade na virtude. Sua origem permanece a mesma que a de seus ancestrais, sua vida segue do mesmo tipo, os sofrimentos da alma e corpo prevalecem sobre voc\u00ea e de igual modo sobre aquele que est\u00e1 sob sua propriedade \u2013 dores e prazeres, alegria e ang\u00fastia, tristezas e deleites, iras e terrores, doen\u00e7as e morte. H\u00e1 alguma diferen\u00e7a nesses aspectos entre o escravo e seu propriet\u00e1rio? Eles n\u00e3o inspiram o mesmo ar que respiram? Eles n\u00e3o veem o sol de igual maneira? Eles n\u00e3o se sustentam consumindo comida? A disposi\u00e7\u00e3o de suas entranhas n\u00e3o \u00e9 igual? N\u00e3o s\u00e3o os dois um s\u00f3 ap\u00f3s a morte? N\u00e3o h\u00e1 um julgamento para eles?\u00a0 Um Reino em comum e uma Gehenna (nota: termo b\u00edblico an\u00e1logo ao inferno) em comum?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">338,14 Se voc\u00ea for igual em todos esses modos, logo, de qual maneira tem algo extra, diga-me, o que faz voc\u00ea, que \u00e9 humano, se achar mestre de um ser humano e dizer \u2018Adquiri escravos e escravas\u2019, como rebanhos de bodes ou porcos. Pois quando ele disse \u2018Adquiri escravos e escravas\u2019, ele acrescentou que abund\u00e2ncia em rebanhos de gado e ovelha vieram at\u00e9 ele. Pois ele diz, e muitas possess\u00f5es de vacas e ovelhas se tornaram minhas, como se tanto gado quanto escravos estivessem em igual grau sob sua autoridade.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre essas impactantes e inspiradoras palavras o historiador brit\u00e2nico Peter Garnsey (em \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/4bQq8Ge\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ideas of slavery from Aristotle to Augustine<\/a>\u201d. Oxford, 1996 p. 243), aduziu que constituem, como sintetiza e indica Bruno S. Gripp em nota introdut\u00f3ria \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o da obra da personagem deste artigo (intitulada \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3KzsLk0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coment\u00e1rio ao Pai Nosso<\/a>\u201d, Editora Paideusis. Fontes Crist\u00e3s, 2018): \u201ca den\u00fancia mais veemente da escravid\u00e3o at\u00e9 o surgimento do movimento abolicionista na era moderna\u201d \u2014 tal movimento apenas floresce no s\u00e9culo XVIII (cujos grandes expoentes foram os protestantes ingleses sob Willian Wilberforce), uma vez que anteriores tentativas de proibir atos de escravid\u00e3o n\u00e3o resultaram na sua real aboli\u00e7\u00e3o para todos, nem numa mudan\u00e7a relevante no <em>zeitgeist<\/em>; por exemplo, bulas papais condenando a escravid\u00e3o foram solenemente ignoradas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1] <\/a>(por favor, n\u00e3o deixem de ler as duas notas de rodap\u00e9 no final deste post!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale, igualmente, aqui transcrever o que disse sobre aqueles trechos, o fil\u00f3sofo, te\u00f3logo e estudioso b\u00edblico, David Bentley Hart (tradu\u00e7\u00e3o livre):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/scottish-journal-of-theology\/article\/abs\/whole-humanity-gregory-of-nyssas-critique-of-slavery-in-light-of-his-eschatology\/529FB6E4046BDA4BBC9D0F5154115720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em nenhum lugar dos vest\u00edgios liter\u00e1rios da antiguidade, existe outro documento compar\u00e1vel \u00e0 quarta homilia de Greg\u00f3rio de Nissa sobre o livro de Eclesiastes: certamente nenhum outro texto antigo ainda conhecido por n\u00f3s \u2014 Crist\u00e3o, Judeu ou Pag\u00e3o \u2014 cont\u00e9m t\u00e3o feroz, inequ\u00edvoca e indignada condena\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. N\u00e3o que constitua um tratado particularmente longo: \u00e9 apenas uma parte do serm\u00e3o, uma breve excurs\u00e3o exeg\u00e9tica sobre Eclesiastes 2:7 (\u2018Adquiri escravos e escravas, e tive escravos nascidos em casa\u2019), mas \u00e9 uma passagem de not\u00e1vel intensidade ret\u00f3rica. Nela, Greg\u00f3rio trata a escravid\u00e3o n\u00e3o como um luxo que deveria ser tolerado de modo temperado (como diria um Epicurista), nem como uma necess\u00e1ria economia dom\u00e9stica muitas vezes abusada por arrogantes e brutais propriet\u00e1rios de escravos (assim como um estoico, tal qual S\u00eaneca ou um crist\u00e3o como Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo), mas como algo intrinsecamente pecaminoso, contr\u00e1rio \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Deus na cria\u00e7\u00e3o, salva\u00e7\u00e3o e \u00e0 Igreja, e essencialmente incompat\u00edvel com o Evangelho. (&#8230;). Greg\u00f3rio viveu numa \u00e9poca, na qual a resposta de te\u00f3logos crist\u00e3os \u00e0 quest\u00e3o da escravid\u00e3o variava de \u2014 na melhor das hip\u00f3teses \u2014 aceita\u00e7\u00e3o resignada \u00e0 \u2014 na pior das hip\u00f3teses \u2014 defesa vigorosa. Contudo, ent\u00e3o, isto torna ainda mais desconcertante a quest\u00e3o de como explicar a excentricidade de Greg\u00f3rio. V\u00e1rias influ\u00eancias no seu pensamento podem ser mencionadas \u2014 mais relevante, talvez, a da sua venerada professora e irm\u00e3, Macrina, que convenceu a m\u00e3e de Greg\u00f3rio a viver uma vida simples com seus servos \u2014 mas isso poderia no m\u00e1ximo ajudar a explicar apenas o desgosto geral de Greg\u00f3rio pela institui\u00e7\u00e3o; ainda assim n\u00e3o explicaria a veem\u00eancia absoluta e intransigente das suas den\u00fancias.<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, infelizmente, numa sociedade cuja economia era dominada pela escravatura, as palavras inspiradas de Gr\u00e9g\u00f3rio de Nissa n\u00e3o reverberaram entre seus contempor\u00e2neos, nem o fizeram por muitos e muitos s\u00e9culos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegar \u00e0 conclus\u00e3o deste <em>post<\/em>, lembrei de um trecho do grande livro \u201cO homem que ri\u201d do mestre franc\u00eas Victor Hugo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o atrito, o ouro perde por ano um catorze avos de seu volume; isso tem o nome de <em>abras\u00e3o<\/em>; donde se segue que, em um bilh\u00e3o e quatrocentos milh\u00f5es em ouro que circulam pela terra, perde-se todos os anos um milh\u00e3o. Esse milh\u00e3o de ouro se pulveriza, voa, flutua, e \u00e1tomo, e respir\u00e1vel, carrega, dosa, lastra e torna pesadas as consci\u00eancias; amalgama-se com a alma dos ricos e os torna soberbos; com a alma dos pobres e os torna ferozes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez as palavras de S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nissa n\u00e3o tenham sido perdidas no tempo. Qui\u00e7\u00e1 elas n\u00e3o se pulverizaram, mas voaram, flutuaram no tempo, e, paulatinamente, tornaram pesadas as consci\u00eancias dos homens, despertando-os para \u00fanica conclus\u00e3o poss\u00edvel sobre a escravatura: uma institui\u00e7\u00e3o vil e indefens\u00e1vel, \u201ca crueldade mais atroz\u201d (como escreveu o grande Darcy Darcy Ribeiro (nota de rodap\u00e9 2), que deve ser definitivamente extinta do nosso mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1] <\/a>Como exemplo dessa aus\u00eancia de efeitos pr\u00e1ticos, relevante mencionar Rodney Stark (saudoso doutor e professor em sociologia e religi\u00e3o comparada) no livro \u201cBaring False Witness\u201d. Ap\u00f3s tecer coment\u00e1rios sobre a Bula Papal <em>Sublimis Deus,<\/em> promulgada pelo Papa Paulo III em 1537 (que expressamente considerou os ind\u00edgenas \u2014 e todos a povos descobertos <em>a posteriori<\/em> \u2014 seres racionais, e proibiu sua escraviza\u00e7\u00e3o), ele relata (tradu\u00e7\u00e3o livre):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa segunda Bula sobre a escravid\u00e3o, Paulo imp\u00f4s a pena de excomunh\u00e3o em qualquer que, independentemente de sua dignidade, estado ou condi\u00e7\u00e3o&#8230; que possa de qualquer modo presumir em reduzir tais ind\u00edgenas \u00e0 escravid\u00e3o ou tomar seus bens. Mas nada aconteceu. Logo, somada \u00e0 brutal explora\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, navios negreiros espanh\u00f3is e portugueses come\u00e7aram a navegar entre a \u00c1frica e o Novo Mundo. E, tal como os mission\u00e1rios cat\u00f3licos no estrangeiro incitaram Roma a condenar a escraviza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios, semelhantes apelos foram registrados sobre escravos negros importados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 22 de abril de 1639, o Papa era Urbano VIII (1623-44), sob pedido dos jesu\u00edtas do Paraguai, editou uma Bula <em>Comissum nobis<\/em>, reafirmando a regra do \u2018nosso predecessor Paulo III\u2019, que aqueles que reduzissem outrem \u00e0 escravid\u00e3o, estavam sujeitos \u00e0 excomunh\u00e3o. Eventualmente, a Congrega\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio (A Inquisi\u00e7\u00e3o Romana) abordou o assunto. Em 20 de mar\u00e7o de 1686, determinou em forma de perguntas e respostas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perguntou-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 permitido enganar os negros, captur\u00e1-los \u00e0 for\u00e7a e outros nativos que n\u00e3o causaram danos a ningu\u00e9m? Resposta: n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u00e9 permitido comprar, vender ou fazer contratos, a respeito dos negros ou outros nativos que n\u00e3o causaram danos a ningu\u00e9m e foram feitos cativos por for\u00e7a ou dolo?\u00a0 Resposta: n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os possuidores de negros e outros nativos que n\u00e3o causaram danos a ningu\u00e9m e foram capturados por for\u00e7a e dolo, devem ser obrigados a libert\u00e1-los? Resposta: sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os captores, compradores e possuidores de negros e outros nativos que n\u00e3o causaram danos a ningu\u00e9m e foram capturados por for\u00e7a ou fraude, devem ser obrigados a compens\u00e1-los? Resposta: sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada amb\u00edguo aqui. O problema n\u00e3o foi que a Igreja falhou em condenar a escravid\u00e3o; foi que poucos ouviram e a maioria n\u00e3o escutou. Naquela era, os Papas tinham pouca ou nenhuma influ\u00eancia sobre os espanh\u00f3is ou portugueses, uma vez que a Espanha governava a maior parte da It\u00e1lia; em 1957, sob a lideran\u00e7a de Carlos V, eles at\u00e9 saquearam Roma. Se o Papa tinha pouca influ\u00eancia sobre a Espanha e Portugal, ele praticamente n\u00e3o tinha nas col\u00f4nias do Novo Mundo, exceto indiretamente atrav\u00e9s do trabalho das ordens religiosas. Na verdade, era ilegal at\u00e9 publicar decretos papais \u201csob consenso real\u201d, e o Rei tamb\u00e9m nomeava todos os bispos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a bula de Urbano VIII foi lida em p\u00fablico pelos jesu\u00edtas no Rio de Janeiro, resultando num ataque de desordeiros \u00e0 Faculdade Jesu\u00edta local, que deixou in\u00fameros padres machucados. Em Santos, uma multid\u00e3o pisoteou o Jesu\u00edta Vig\u00e1rio Geral quando ele tentou publicar a bula, e os jesu\u00edtas foram expulsos de S\u00e3o Paulo quando se propagou seu papel na aquisi\u00e7\u00e3o da bula.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o escrito por Stark, essencial aduzir que isso n\u00e3o isenta os membros e, principalmente, a lideran\u00e7a da Igreja Cat\u00f3lica de n\u00e3o terem adotado um papel muito mais ativo na luta para que tais bulas papais tivessem real efetividade. Por isso, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao clero cat\u00f3lico brasileiro, essencial expor posi\u00e7\u00e3o divergente apresentada por Joaquim Nabuco, inesquec\u00edvel abolicionista p\u00e1trio, no c\u00e9lebre livro \u201cO Abolicionismo\u201d (1883):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros pa\u00edses, a propaganda da emancipa\u00e7\u00e3o foi um movimento religioso, pregado do p\u00falpito, sustentando com fervor pelas diferentes igrejas e comunh\u00f5es religiosas. Entre n\u00f3s, o movimento abolicionista nada deve, infelizmente, \u00e0 Igreja do Estado; pelo contr\u00e1rio, a posse de homens e mulheres pelos conventos e por todo o clero secular desmoralizou inteiramente o sentimento religiosos de senhores e escravos. No sacerdote, estes n\u00e3o viam sen\u00e3o um homem que os podia comprar, e aqueles a \u00faltima pessoa que se lembraria de acus\u00e1-los. A deser\u00e7\u00e3o, pelo nosso clero, do posto que o Evangelho lhe marcou, foi a mais vergonhosa poss\u00edvel: ningu\u00e9m o viu tomar a parte dos escravos, fazer uso da religi\u00e3o para suavizar-lhes o cativeiro, e para dizer a verdade moral aos senhores. Nenhum padre tentou, nunca, impedir um leil\u00e3o de escravos, nem condenou o regime religiosos das senzalas. A Igreja Cat\u00f3lica, apesar do seu imenso poderio em um pa\u00eds ainda em grande parte fanatizado por ela, nunca elevou no Brasil a voz em favor da emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o que d\u00e1 for\u00e7a ao abolicionismo n\u00e3o \u00e9 principalmente o sentimento religioso, o qual n\u00e3o \u00e9 a alavanca de progresso que poderia ser, por ter sido desnaturado pelo pr\u00f3prio clero, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o esp\u00edrito de caridade ou filantropia. A guerra contra a escravid\u00e3o foi, na Inglaterra, um movimento religioso e filantr\u00f3pico, determinado por sentimentos que nada tinham de pol\u00edtico, sen\u00e3o no sentido em que se pode chamar pol\u00edtica \u00e0 moral.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>2. Em \u201c<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3VvgnHJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O povo brasileiro<\/a>\u201d, o soci\u00f3logo brasileiro Darcy Ribeiro escreveu um dos mais belos e impactantes textos sobre os efeitos funestos da escravid\u00e3o em nosso pa\u00eds:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida, atrav\u00e9s de s\u00e9culos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos n\u00f3s, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e \u00edndios supliciados. Todos n\u00f3s brasileiros somos, por igual, a m\u00e3o possessa que os supliciou. A do\u00e7ura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de n\u00f3s a gente sentida e sofrida que somos e a gente insens\u00edvel e brutal, que tamb\u00e9m somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em n\u00f3s, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exerc\u00edcio da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crian\u00e7as convertidas em pasto de nossa f\u00faria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais terr\u00edvel de nossas heran\u00e7as \u00e9 esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela \u00e9 que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem \u00e0s m\u00e3os. Ela, por\u00e9m, provocando crescente indigna\u00e7\u00e3o nos dar\u00e1 for\u00e7as, amanh\u00e3, para conter os possessos e criar aqui uma sociedade solid\u00e1ria.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_2633\" style=\"width: 276px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3VvgnHJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2633\" class=\" wp-image-2633\" src=\"https:\/\/otaviopinto.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Darcy-Ribeiro-O-povo-brasileiro.jpg\" alt=\"\" width=\"266\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/otaviopinto.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Darcy-Ribeiro-O-povo-brasileiro.jpg 323w, https:\/\/otaviopinto.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Darcy-Ribeiro-O-povo-brasileiro-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2633\" class=\"wp-caption-text\"><a href=\"https:\/\/amzn.to\/3VvgnHJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui ou na imagem acima para comprar o livro<\/a><\/p><\/div>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>\n<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"S%C3%A3o%20Greg%C3%B3rio%20de%20Nissa%2C%20o%20primeiro%20abolicionista\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"S%C3%A3o%20Greg%C3%B3rio%20de%20Nissa%2C%20o%20primeiro%20abolicionista\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div><p>N\u00e3o se pode julgar o passado com os valores atuais. Um homem do mundo antigo era, logicamente, fruto do seu pr\u00f3prio tempo. Logo, injusto tachar como \u201cpessoas ruins\u201d grandes pensadores da estatura de Arist\u00f3teles e S\u00eaneca, em raz\u00e3o de eles, como todos os seus contempor\u00e2neos, n\u00e3o terem questionado a escravatura enquanto institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, vale, [&hellip;]<\/p>\n<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"S%C3%A3o%20Greg%C3%B3rio%20de%20Nissa%2C%20o%20primeiro%20abolicionista\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":2625,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,9],"tags":[124,79,19,67,10],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2624"}],"collection":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2624"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2736,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2624\/revisions\/2736"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}