{"id":94,"date":"2015-05-29T11:35:34","date_gmt":"2015-05-29T14:35:34","guid":{"rendered":"http:\/\/otaviopinto.com\/?p=94"},"modified":"2024-04-26T19:51:56","modified_gmt":"2024-04-26T22:51:56","slug":"criamos-o-racismo-podemos-destrui-lo-abaixo-as-piadas-racistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/otaviopinto.com\/index.php\/2015\/05\/29\/criamos-o-racismo-podemos-destrui-lo-abaixo-as-piadas-racistas\/","title":{"rendered":"Criamos o racismo, podemos destru\u00ed-lo; abaixo as piadas racistas!"},"content":{"rendered":"<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"Criamos%20o%20racismo%2C%20podemos%20destru%C3%AD-lo%3B%20abaixo%20as%20piadas%20racistas%21\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div><p style=\"text-align: justify;\">Os casos de racismo ocorrem rotineiramente no nosso pa\u00eds e em todo o mundo. Esse tenebroso quadro atormenta os negros h\u00e1 s\u00e9culos. Por isso, muitos possuem a falsa e pessimista ideia de que o mundo \u201csempre foi assim e sempre ser\u00e1\u201d, ou seja, que, independente dos nossos esfor\u00e7os, o racismo sempre existir\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, de acordo com os estudiosos do tema, o racismo \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o moderna. Segundo o historiador americano George Fredrickson, a vis\u00e3o dominante entre os especialistas da \u00e1rea \u00e9 a de que inexistia um conceito equivalente ao de \u201cra\u00e7a\u201d entre os gregos, romanos e primeiros crist\u00e3os. Portanto, como escreveu o historiador Frank Snowden, a sociedade da antiguidade \u201cnunca tomou a cor como base para julgar um homem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o existiam\u00a0etnocentrismo e intoler\u00e2ncia religiosa (o antissemitismo, por exemplo, j\u00e1 era comum no Ocidente), mas essas duas doen\u00e7as sociais n\u00e3o podem ser equiparadas ao racismo, pois, como explica Fredrickson, um pag\u00e3o podia ser convertido e um estranho \u00e9tnico assimilado \u00e0 tribo, at\u00e9 o ponto no qual\u00a0suas origens perdessem import\u00e2ncia significativa. O racismo, a pior dessas mazelas, cria uma barreira maior, pois estabelece uma hierarquia racial entre os homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao mais comum e impactante tipo de racismo no Ocidente nos tempos atuais &#8211; o preconceito racial contra negros &#8211; Fredrickson outrossim nega sua origem no per\u00edodo medieval e o define como \u201cprincipalmente um produto do per\u00edodo moderno\u201d. Em raz\u00e3o disso, importante esclarecer que a escravatura dos negros nas Am\u00e9ricas n\u00e3o ocorreu em raz\u00e3o da cor da pele (ou por motivos religiosos), mas, segundo o historiador Eric Williams, em decorr\u00eancia do baixo pre\u00e7o da m\u00e3o de obra africana.\u00a0 E \u00e9 da\u00ed, da escravatura dos negros, que nasce o conceito de ra\u00e7a e o racismo, como demonstra com clareza a historiadora brasileira C\u00e9lia Maria Marinho de Azevedo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">o tr\u00e1fico de africanos pelos comerciantes europeus e sua subsequente escraviza\u00e7\u00e3o em terras americanas abriu paulatinamente caminho para a inven\u00e7\u00e3o da ideia de ra\u00e7a (&#8230;) podemos perceber a emerg\u00eancia hist\u00f3rica do racismo como uma pr\u00e1tica discursiva que se institui no in\u00edcio da modernidade no s\u00e9culo XVI e que se desenvolve em termos mais sistem\u00e1ticos, j\u00e1 dentro do campo das ci\u00eancias biol\u00f3gicas e humanas, ao longo do s\u00e9culo XIX e primeira metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, n\u00f3s inventamos o racismo; e se inventamos, podemos destru\u00ed-lo. Como? In\u00fameros fatores s\u00e3o importantes, como a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social ainda gritante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rep\u00fadio a ofensas e \u201cpiadas\u201d racistas configura outra quest\u00e3o essencial. Por\u00e9m tem sido tachado injustamente no Brasil de \u201conda do politicamente correto\u201d. H\u00e1 uma perversa invers\u00e3o de valores: \u201ccorajosos\u201d se revoltam por n\u00e3o mais poder ofender minorias com a desculpa do \u201cera s\u00f3 uma brincadeira\u201d. Eles s\u00e3o o que denomino de &#8220;brincanalhas&#8221;; aqueles que, sob \u00a0o escudo do &#8220;humor&#8221;, dizem barbaridades inaceit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra o \u201cpoliticamente correto\u201d, algumas pessoas, ignorando o contexto hist\u00f3rico, costumam perguntar: \u201cse posso ser chamado de palmito por ser branco, por que n\u00e3o posso chamar um negro de macaco? \u201d. A diferen\u00e7a \u00e9 ululante! S\u00e3o os negros (e n\u00e3o os brancos) as v\u00edtimas de preconceito real na nossa sociedade: seu cabelo \u00e9 considerado \u201cruim\u201d e seus tra\u00e7os \u201cgrosseiros\u201d; s\u00e3o constantemente parados e revistados injustamente pela pol\u00edcia; despertam os olhares dos seguran\u00e7as quando entram nas lojas; entre tantos outros absurdos. Ademais, a compara\u00e7\u00e3o com macacos existe desde o s\u00e9culo XIX numa tentativa de desumaniza\u00e7\u00e3o do homem negro, de rotul\u00e1-lo como algo menor que \u201cum ser humano\u201d. Por outro lado, jamais ocorreu a associa\u00e7\u00e3o entre brancos e \u201cpalmitos\u201d naquela mesma diretiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, em raz\u00e3o daquele processo hist\u00f3rico acima explicado que levou \u00e0 inven\u00e7\u00e3o do conceito de ra\u00e7a, pode-se dizer que quando se xinga um homem branco, ofende-se apenas um homem, pois ser branco jamais foi depreciativo no Brasil. Por\u00e9m, quando se xinga um homem negro pela sua cor, xinga-se todos os negros; pior ainda, ofende-se toda a humanidade ao relativizar-se (mesmo que indiretamente em alguns casos) o per\u00edodo tenebroso da escravatura que gera consequ\u00eancias at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, quando o brasileiro de qualquer cor, ao ouvir um insulto ou mesmo uma \u201cpiada\u201d em raz\u00e3o da cor do homem negro, come\u00e7ar a reagir como se tivesse recebido uma afronta pessoal e direta; quando se sentir respons\u00e1vel e envergonhado por todas os racistas e por todo o racismo ainda existente na nossa sociedade; a\u00ed, sim, venceremos e destruiremos o que jamais deveria ter sido criado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fontes<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AZEVEDO, C\u00e9lia Maria Marinho de<strong>. <a href=\"https:\/\/amzn.to\/3JC9eib\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anti-racismo e seus paradoxos: reflex\u00f5es sobre cota racial, ra\u00e7a e racismo<\/a><\/strong>. S\u00e3o Paulo: Annablume, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FREDRICKSON, <a href=\"https:\/\/amzn.to\/3JCqwvy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">George M.<strong> Racism: a Short History<\/strong><\/a><strong>. <\/strong>Princeton: Princeton, 2002<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SNOWDEN JR., Frank M. <a href=\"https:\/\/amzn.to\/3UAGc8Y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Before Color Prejudice<\/strong><strong>. <\/strong><\/a><strong>The Ancient View of Blacks. <\/strong>Harvard University Press, 1991.<\/p>\n<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"Criamos%20o%20racismo%2C%20podemos%20destru%C3%AD-lo%3B%20abaixo%20as%20piadas%20racistas%21\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"padding-bottom:20px; padding-top:10px;\" class=\"hupso-share-buttons\"><!-- Hupso Share Buttons - https:\/\/www.hupso.com\/share\/ --><a class=\"hupso_counters\" href=\"https:\/\/www.hupso.com\/share\/\"><img src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/buttons\/lang\/pt\/share-small.png\" style=\"border:0px; padding-top:2px; float:left;\" alt=\"Share Button\"\/><\/a><script type=\"text\/javascript\">var hupso_services_c=new Array(\"twitter\",\"facebook_like\",\"facebook_send\",\"pinterest\",\"email\",\"print\",\"linkedin\");var hupso_counters_lang = \"pt_BR\";var hupso_image_folder_url = \"\";var hupso_twitter_via=\"blogdootavio\";var hupso_url_c=\"\";var hupso_title_c=\"Criamos%20o%20racismo%2C%20podemos%20destru%C3%AD-lo%3B%20abaixo%20as%20piadas%20racistas%21\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/static.hupso.com\/share\/js\/counters.js\"><\/script><!-- Hupso Share Buttons --><\/div><p>Os casos de racismo ocorrem rotineiramente no nosso pa\u00eds e em todo o mundo. Esse tenebroso quadro atormenta os negros h\u00e1 s\u00e9culos. Por isso, muitos possuem a falsa e pessimista ideia de que o mundo \u201csempre foi assim e sempre ser\u00e1\u201d, ou seja, que, independente dos nossos esfor\u00e7os, o racismo sempre existir\u00e1. 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